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De olhos abertos para o mundo, eu vivo e vejo...

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11/5/2009

Durmo mal...

...e ainda por cima sonho com ela. Isso me acaba. Este tipo de solidão acaba comigo. Por lógica, isso não deveria acontecer. E me pego pensando: "Será que ao mesmo tempo em que sonho com ela, ela está sonhando comigo?". Por lógica, não. Algumas palavras ainda ecoam na mente: "Você acha que eu daria um pé na bunda dele, como já dei o pé na bunda de outros dois?". Tem sido assim. Ela já casada novamente, eu me misturando com sua família. Seus adoráveis pais, me tratando sempre tão bem como o fora no passado, seus tios, tias, primos, primas... Eu sempre bem recepcionado. Mas excluso da vida dela. E sofrendo pelo sonho inteiro.
Se justiça fosse parâmetro, bastaria um pesadelo por noite. Mas antes já havia tido outro, que me fez acordar às duas da madrugada. Isso é que é sorte! Isso é que é sorte! Como quero que apareça alguém em minha vida, para que eu não precise continuar a ser atormentado por tantos pesadelos... Sim, acredito sim que meus pesadelos sejam por conta dessa solidão. Não tenho como saber, de fato. Apenas acredito que sim. Não é justo saber que ela não me escolheu, não me escolhe, está tão feliz, e eu vivendo o diabo com essa vida... Que saco...
10/25/2009

É garantido! (Pain)

Domingo... Como outro qualquer... Quase como outro qualquer, mas bem parecido com a maioria deles. Depois de vários passeios pela casa e outras diversões, pc e música. E com mais de 100 rodadas de uma porção de sons, paro mais uma vez Smashing Pumpkins.. E ouço 'Perfect'. É quando aparece ao meu lado um fosso escuro. Agacho e, seguro pelas bordas, olho o que tem lá dentro. De repente, recebo um belo chute no rabo, que me faz cair nele. E vou caindo em meio a uma grande escuridão. Parece não ter fim. Tão logo vejo luz. Na verdade são imagens do passado que vão sendo montadas, passam por mim e se perdem na escuridão. Imagens do passado. Faz muito tempo. Tempo que não gostaria de esquecer, mas evito (sem sucesso na maior parte das vezes) trazê-las a tona. Imagens de um tempo que era tão bom ver alguém sorrir para mim, ouvir "eu amo você", sentir aquele "amo você". Imagens de histórias que podem ser contadas com orgulho e com paixão, de tempos memoráveis e inesquecíveis, tempos 'Perfect'. O fim dos anos 90 foram 'Perfect'. 'Perfect' era ir a praia com quem se ama, ao cinema, àquele show, viajar juntos, assistir filme em casa juntos, passear juntos, ficar sem fazer nada juntos, São João, Reveillon, Natal, carnaval, Semana Santa, et cetera. 'Perfect' foi ter vivido tudo isso e ter a consciência que isso, um dia, foi vivido de verdade. Tudo muito bem combinado: Idade, momento, experiências... Mas é garantido! (Pain).
O problema é que nunca existiu tal fosso. O fosso era a realidade em minha frente. O fosso é o meu dia-a-dia, longe daquela que esteve comigo num tempo 'Perfect'. Mais que isso, o fosso é ter a noção exata do quanto fui feliz naqueles últimos anos da década de 90, e saber o quão sofrida é esse fim de década. Pena que esse filme não foi gravado. Pena que as imagens exatas do que aconteceu irão embora comigo. Pena que o tempo 'Perfect' não durou mais do que alguns anos. 'Perfect' seria a continuação, por toda a vida, daqueles poucos anos. 'Perfect' seria se pudesse viver tudo novamente. 'Perfect' seria se, neste exato momento, eu pudesse ser salvo por uma realidade absurdamente diferente da que se mostra, para me trazer a tona, cheio de força, esperança, garra, alegria, altivez. 'Perfect' seria eu não sentir toda essa dor por dentro que não cessa nunca.

Perfect [Smashing Pumpkins]

"I know we're just like old friends, we just can't pretend that lovers make amends
we are reasons so unreal, we can't help but feel that something has been lost

But please you know you're just like me
next time I promise we'll be
Perfect...

Perfect strangers down the line, lovers out of time, memories unwind
So far I still know who you are but now I wonder who I was...
Angel, you know it's not the end, we'll always be good friends, the letters have been sent on
So please, you always were so free, you'll see, I promise we'll be

Perfect...
Strangers when we meet, strangers on the street, lovers while we meet
Perfect...
You know this has to be, we always we're so free, we promised that we'd be
Perfect..."


 
9/29/2009

Walk on.. Walk on..

Outro dia vai lentamente chegando ao fim, dando espaço para mais uma noite. E o dia foi passando... Simplesmente passando... Como não havia como ser diferente, estudando, estudando e estudando, pensando, pensando e pensando. Por outro lado, minha mãe me cobrando, cobrando e cobrando. Ela deve se satisfazer com essa deliciosa (para ela) tortura psicológica. Não tenho como não imaginar que ela sinta com isso. Deve imaginar o quanto essa tortura deve me fazer bem, um bem danado. Posso dizer seguramente que, hoje, se bebo ou assisto algum filme ou estudo ou tento (quando consigo) sair com meus amigos, tudo é forma de fazer com que o dia acabe. Que aflição dá perceber, bem cedinho, que um novo dia aparece. E mais cobranças doentias seguidas uma após a outra, por parte de minha mãe. Mais horas seguidas a estudar. Mais horas seguidas em silêncio por falta de ter com quem conversar. Mais horas seguidas sem ter o carinho de ninguém. Mais horas seguidas sem meu pai. Mais horas seguidas tendo que lidar com uma tristeza inconfundível que minha mãe prefere preservar em minha casa, ao invés de bolar algum plano de trazer alguma alegria aqui para dentro. Não, ela não quer isso... Acaso quisesse, procuraria alguma forma de fazer isso. Ela nem pensa nisso. Prefere pensar nas próximas palavras que irá me dizer, quando eu tentar fazer algo para me animar por alguns bons minutos. Porque diabos ela não leva os caixotes repletos de tristeza para a casa de suas irmãs, não sei! Mas a-d-o-r-a manter essas tralhas aqui... Minha casa tem que estar repleta de tristeza full-time, deve pensar. É o egoísmo que lameia seus olhos que não a permite enxergar que não suporto isso, não diariamente, não depois de tanta tristeza por tantos meses com que tenho que lidar. Não é justo, caralho! Mas, quanto a isso, o que fazer? Nada, simplesmente aceitar, afinal, é o que me resta de família. "Engolir o sapo". Chego mesmo a pensar se ela não está na tentativa obscura de ver até onde eu consigo suportar até procurar alguma forma de cometer um suicídio. Tem que ser isso! Tem que ser, afinal, acaso não seja isso, porque ela não trata qualquer (QUALQUER) outra pessoa dessa mesma forma? Ganhei o prêmio "vá até o limite e se mate"? Esse "presente" é exclusivo meu? Que diabos de maluquice é essa?
"Ahhh... Isso é preocupação de mãe", "toda mãe é assim", "ela só está fazendo isso para seu bem", "ela está pensando em seu futuro". FAÇA-ME UMA GARAPA! Ou então nomeem-me lider da revolução pro-matança em massa e extermínio da face da terra de qualquer mulher-mãe. Que direito bizarro é esse imputado livremente às mães então? Veja seu filho mal e diga-lhe coisas diárias para que o deixe cada vez mais infeliz? FAÇA-ME OUTRA GARAPA!
Há poucas horas, tentando me livrar dos pensamentos para voltar a estudar, pensava constantemente o quanto gostaria de atingir minha independência financeira para poder dizer a ela: "Estou indo embora para bem longe de você e, quando quiser aparecer, ligue para eu dizer que estou cultivando felicidade e que pode cultivar toda tristeza possível na casa de suas irmãs! AQUI NÃO!".
Mas ela é o que me resta de família. Depois que se for, fica comigo a solidão apenas. É difícil dormir com um inimigo no quarto ao lado e saber que, sem o inimigo, não há mais contra quem lutar. Faca de dois gumes. Ruim com ela, pior sem ela. E a vida era para ser boa? Não imagino como. Talvez até imagine. Consigo imaginar. Mas esse outro tipo de realidade, é surreal. Para que essa outra realidade pudesse acontecer, o mundo inteiro precisaria ser diferente, conspirar de forma diferente, tudo teria que ser muito diferente. E por que não construir esse mundo? Sempre busquei construir esse mundo a minha volta, mas o próprio mundo, com força inconfundível, sempre destruiu tudo o que eu ia construindo. E continuei construindo, e o mundo destruindo. E construindo e o mundo destruindo. Putaquiupariu! Se o mundo fosse algo de bom, ele destruiria algo de bom que eu há tanto venho planejando construir? Não faz nenhum sentido. Nenhum...

9/21/2009

Derivação...

Às vezes, quando minha mãe viaja para o interior, com o fim de resolver as pendências ainda existentes relacionadas às coisas de meu pai, ou quando simplesmente vai visitar ou dormir na casa de uma de suas irmãs, em meio a solidão do meu lar, deixo o silêncio preencher o interior deste e sinto uma prévia da vida que virei a ter um dia. As horas são secas, o tempo - por vezes - parece parar, como alguma espécie de suspensão estranha. Sinto a solidão que me cerca e tento fazer dela uma boa companhia. Mas me engano, pensando que a solidão pode ser boa companhia... Ah! Como eu gostaria de não estar me sentindo dessa forma... Este seria o momento ideal para não me sentir assim. Por vezes fico mendigando companhia. Neste fim-de-semana que se findou, mendiguei diversas vezes. Ligo para amigos, amigas... Interessante como, quando precisamos muito dessa companhia, simplesmente estão todos ocupados ou preparando-se para se ocuparem. Ou seria somente azar momentâneo? Fico observando o celular, que não toca. Fico esperando o telefone tocar, e não toca. Alguém que possa me interfonar, fazendo uma visita-surpresa. E o interfone, também, não toca. É a solidão que incrusta no lar. E o tempo pára.
Quantas e quantas vezes já pude observar minha mãe sentada na varanda, olhando para a rua, sem olhar para a rua, deixando o tempo passar. Sei o que é isso. É a solidão presente. É quando a alegria se torna ausente e faz-nos de refém. É o ato de deixar o tempo passar, com a esperança da chegada da felicidade, que por vezes não chega. É quando, exatamente, as horas passam sem passar. É o vazio. Queria já ter aprendido a lidar com o vazio, mas não consigo. Ela também não consegue. Não aprendemos a lidar com isso, é fato. Então ficamos reféns das horas, esperando esperançosos pelo milagre maior da chegada da felicidade, de alguma alegria que possa fazer alavancar a vida. A espera é terrível...
Enquanto espero, sou arrebatado por centenas de milhares de lembranças passadas, onde a companhia era presente, onde a alegria tinha vez no dia-a-dia, onde o tempo era preenchido por carinho e atenção. Hoje parece não restar mais nada e a vida simplesmente vai passando, e nós ficamos com as esperanças que, afinal, é o que nos resta.
Cadê você, pai? Cadê você, filho? Cadê você, esposa? Cadê você, irmão e irmã? Onde se escondeu, vida?
Qual o segredo de se atingir uma paz interior, alguém acaso sabe?
Enquanto isso, vejo amigos e amigas casando, tendo filhos, ex-namoradas seguindo o mesmo destino, todos firmando a vida, como se predestinados a isso, e eu vou ficando esquecido juntamente com o tempo que me resta.
Ao menos, em meus sonhos, nunca estou sozinho. Boas companhias, más companhias, não importa! Nunca estou sozinho.
Acordado, sempre acabo só. Mas por quanto tempo ainda?

9/17/2009

Eu acordei com medo e procurei no escuro alguém com seu carinho.. E me lembrei de um tempo..

Ontem fez um ano que meu herói faleceu. Hoje faz um ano que o enterrei.
Faz um ano que não sei lidar com a vida. Apenas vou vivendo. Ou sobrevivendo.
Há um ano senti o estranho vazio que só consegue entender aquele que já passou por perda semelhante. Fora isso, não existe "eu entendo". É a verdadeira solidão que já arrumou suas malas e vem procurar abrigo, metendo o pé na porta, entrando e dizendo: "Vim para ficar!". Tenho uma mãe ainda, com seus setenta anos. Quantos anos ainda lhe resta para deixar seu filho sozinho neste mundo? Não se sabe. Ninguém sabe. Eu não sei.
A quem me acha tão dramático, isso é drama meu?
Qual o tamanho da aflição? Quanta aflição?

Poema
"Eu hoje tive um pesadelo e levantei atento, a tempo
Eu acordei com medo e procurei no escuro alguém com seu carinho e lembrei de um tempo
Porque o passado me traz uma lembrança do tempo que eu era criança
E o medo era motivo de choro, desculpa pra um abraço ou um consolo
Hoje eu acordei com medo mas não chorei nem reclamei abrigo
Do escuro eu via um infinito sem presente, passado ou futuro
Senti um abraço forte, já não era medo
Era uma coisa sua que ficou em mim, que não tem fim
De repente a gente vê que perdeu ou está perdendo alguma coisa
Morna e ingênua que vai ficando no caminho
Que é escuro e frio mas também bonito porque é iluminado
Pela beleza do que aconteceu há minutos atrás"
(Composição: Cazuza / Frejat)

9/7/2009

Há dias que deveriam ser proibidos..

Isso. Há dias que deveriam ser proibidos mesmo. Por lei. Deveriam constar na Carta Magna.
Não deveria nos ser permitido descobrir tantas certas realidades. Mas "curiosidade mórbida", como diz minha amiga Gabi, é foda. E acabo descobrindo sempre o que não quero descobrir. É como prega a história: Se fuçar demais, acha. E acabo sempre encontrando. Claro, fuço demais. Não vejo a hora dessa fase virar passado. Enquanto isso não vinga, sempre tem uns dias piores. Ruins mesmo. Mas a cabeça é teimosa... Vira-e-mexe busca um encostosinho no passado. Maldita seja.
Mas... Engraçado... Sinto a sensação de que certas coisas ruins acontecem para que algo de bom que há de vir tenha o seu espaço. Espaço integral. Há uma luz no fim do túnel... Mas tô precisando de óculos para poder enchergar essa luzinha direitinho...
Não devia ter permitido que meu passado tivesse a chance que dei para que se aproximasse. Fazer o quê... "Vivendo e aprendendo, errando e se fudendo", diz o ditado. Fazer o quê...

8/6/2009

[...] .......

É engraçado (sem que haja nada de engraçado quanto a matéria...) como as pessoas se afastam, buscam se aproximar, se afastam novamente, e acabam vivendo este ciclo (tantos "loops") sem priorizar de antemão a necessidade e importância real existente destas aproximações e afastamentos. Quando tais pontos não são observados com a devida relevância, deflagra-se a banalidade de tais ações. E depois pergunta-se: "Por que?".
A resposta é tão simples (e foi dita)... Faltou a definição da necessidade e importância daquele afastamento ou daquela aproximação.
Minha vida é banhada/pautada em música. A cada canção que escuto, a cada música, letra, melodia, tudo me remete a fatos históricos pessoais do passado, seja ele próximo ou distante. Nestes últimos tempos (para não dizer nestes últimos mais de 12 meses) tenho ouvido muita coisa que me remete a um passado hoje distante, e acabo por descobrir toda uma felicidade que existiu, que não existe mais. Hoje a vida é diferente, está diferente, muito e tão diferente que me faz pôr em pauta se acaso (e de fato) tudo o que tenho vivido vale a pena realmente. Não faço de forma alguma uma análise cega e ríspida eivada de positividade, e sim crivada de verdade e realidade. Não sou de dizer que tudo vai ficar bem por pura esperança, mas sim por tudo o que se mostra e se encaminha. E vivo cansando de observar tanta gente buscando se aproximar para que se sintam intimamente melhores, ao invés de fazerem com que outros se sintam bem com suas particulares atitudes. Isso tem nome e se define: Egoismo. Por egoismo, tanta gente tem buscado se aproximar e se afastar.
É o perdão que pedem a si mesmas. Precisam se perdoar. Não se importam de magoar um próximo, desde que consigam este perdão pessoal.

Acabo sempre me questionando: "Até quando o amor vai ser encarado desta forma?". Até quando vai se pedir perdão a si mesmo, magoando o outro? Até quando não se verá um sentimento verdadeiro, com medo de encarar uma farsa real que se vive? E tenho, logo, uma resposta: "Até sempre".
"Até sempre" é muito tempo. "Até sempre" pode magoar muito mais pessoas do que se pode imaginar. E não se importam de magoar. "Até sempre".
Lucas van Leyden - 1529 (Adão e Eva lamentando a morte de seu filho Abel, morto por seu irmão Caim)


7/16/2009

10 meses...

Faz já dez meses que meu pai faleceu... E toda essa tristeza ainda anda arraigada em mim, saindo pelos poros, fazendo com que eu continue sentindo toda a solidão que alguém nunca deveria sentir... Como levar uma vida assim, sem ter por tanto tempo, tantos meses, nenhum carinho, hoje quase não vejo ninguém, estudo, estudo, estudo... Vivendo sem nenhuma novidade, nenhuma novidade chega... O tempo só se preocupa em passar... Minha vida passa... Nada acontece, nada... E tudo vai ficando para trás, enquanto vou remando contra a maré, esta triste maré que procura me levar embora para uma realidade vazia... Triste... Mas todo nadador cansa, seus músculos cansam... É quando ele desiste de nadar e se entrega à maré. Espero não cansar tão cedo...
6/19/2009

9 meses...

Não estive muito bem nos últimos dias para escrever sobre isso. Há três dias fez nove meses que meu pai veio a falecer. Fiquei muito mal durante esses dias, como disse. Conheci muito bem meu pai. Até hoje não entendo como ele pode ter passado por tudo o que passou antes de sua morte. E se foi por mérito, a justiça não foi humana. Então não houve justiça, e não foi certo. Quase teve o pé amputado antes de ter ido parar no hospital, foi perdendo a visão... E ainda assim lutava por mim, por minha mãe, pelos clientes... Um dia teve um derrame. Foi descoberto que tinha um aneurisma. Foi descoberta uma má formação em seu crânio. Tinha hipertensão. Tinha diabetes. Um dia sua pressão subiu, o aneurisma pressionou uma artéria cerebral contra a má formação até que acontecesse o derrame hemorrágico. Entrou em coma. Teve que se alimentar por sondas. Teve que respirar por aparelhos. Poucas semanas depois, sua traquéia teve que ser aberta e um canal respiratório passou a fazer parte de sua realidade, tendo que ser limpa por um aparelho de sucção a cada tantas horas. Parou a responder a estímulos. Teve uma sonda no cérebro para drenar o sangue que inundava este. Depois de meses, uma escara começou a minar suas costas. Eu conheci muito bem meu pai para ter a certeza que ele não merecia passar por tudo isso. Soube muito bem da vida que teve, das lutas contra tanta injustiça contra si e contra outros. Mas, se em algum momento me disserem que ele mereceu, mesmo que num "Deus sabe o que faz", então essa pessoa é tão estúpida quanto sua própria existência.

A verdade é que eu continuo seguindo em frente, a cada dia, com toda e qualquer pessoa cantando "desculpe a frieza, mas agora você tem que seguir em frente", como se eu já não soubesse disso. Interessante como a única coisa que tive até aqui foi frieza pela realidade e um bom punhado de "sinto muito", "meus pêsames" e "meus sentimentos". Carinho? Nem de minha própria mãe. Mas frieza, carregamentos a qualquer dia. E se tudo isso pelo que tenho passado não estiver sendo a prova de que tenho (obrigatoriamente, claro) conseguido segurar minha barra, então que me contradigam. Mas é simplesmente suportar. Se algum dia toda essa tristeza tiver que ser minorizada por caminhos que nem imagino, então só espero que não seja tarde demais. A única coisa que levamos para a frente somos nós, advindos de tudo o que nos aconteceu no passado. Tanta coisa tem me acontecido que nem sei como será se não for tarde demais. Engraçado como tanta gente pouco se importa com isso, e acaso se importe, não move uma palha para mudar isso. Mas é a realidade de cada um. E esta é a minha. Perdi a conta de quantas vezes disseram para mim que jamais iriam me abandonar. A prova destas palavras eu tenho em vida.

6/15/2009

Everybody hurts [R.E.M.]

"Quando o dia é longo e a noite, a noite é somente sua,
Quando você tem certeza [que] já teve o bastante desta vida, bem, persista...

Não desista de si mesmo, pois todo mundo chora
E todo mundo sofre às vezes...

Às vezes tudo está errado,
Nesse momento é hora de cantar junto.
Quando seu dia é noite, sozinho (agüente, agüente)
Se você tiver vontade de desistir (agüente....)
Se você achar que teve demais desta vida, bem, persista...

Pois todo mundo sofre, consiga conforto em seus amigos.
Todo mundo sofre...
Não se resigne, oh, não! Não se resigne
Quando você sentir como se estivesse sozinho.
Não, não, não, você não está sozinho...

Se você está por sua própria conta nesta vida,
Os dias e noites são longos,
Quando você sentir [que] teve demais desta vida para persistir...

Bem, todo mundo sofre
Às vezes, todo mundo chora.
E todo mundo sofre às vezes...
Então agüente, agüente..."

 

6/12/2009

"História de garotos e garotas... Tantas palavras ditas entre os dentes..." [Nenhum de Nós]

Tive uma noite intranqüila. Sonhei muito. Sonhei com meu pai, sonhei com meu melhor amigo e estávamos nos divertindo, aprontando, e sonhei com ela. Ela tinha acabado de pintar os cabelos de preto. Cabelos longos também. Engraçado o desconforto por sentir (e não saber...) que aquela nova aparência não tinha sido composta para mim. Engraçado... Passei no Orkut dela para conferir... Piração... "As coisas aconteciam com alguma explicação" [Nenhum de Nós]. Para tudo sempre tem uma explicação, e essa explicação sempre vem verdadeiramente, instantaneamente, direta e rigorosamente, em nossa mente. Acaso alguém pergunte, podemos facilmente nos esquivar, dizendo, jurando, não ter explicação, não saber explicar... Mas sabemos sim. Sempre sabemos.

Ah, o passado... Quando é bom, volto minhas lembranças a ele e o ponho ao lado do meu presente. E lembro da liberdade, da intimidade, de delicadezas peculiares, preocupações muito particulares com o outro, sorrisos e encantos, detalhes que só quem vivenciou pode entender, imagens que foram fotografadas com muita precisão. Isso me dói, dói muito. Dói saber que nada disso mais existe, e luto a todo custo para me esquivar desse lado da realidade presente, através das responsabilidades do dia-a-dia, através dos estudos, academia, sei lá, não importa. Até quando tanta dor vai se manter presente, não sei. Tanta coisa bate a minha porta para me entristecer, e tão raras surpresas boas vêem a mim... E nunca entendo o porquê disso...

Hoje não tenho mais o meu pai, vejo minha mãe morrendo aos poucos a cada dia, não tenho namorada/noiva/esposa, nem filho(a), muito poucos(as) amigos(as) com quem tenho tão pouco contato, não me sinto confortável com tudo isso, tento mudar isso a cada dia, nada muda, e vou ficando cada vez mais sozinho. Alguém sabe dizer onde culmina tudo isso, seguindo esta estrada? Até quando existirão dias que parece que perdi a voz, sem abrir a boca para apreciar uma palavra sequer?

Não, não é questão de um pensamento positivo... Todos os dias penso positivamente em relação a qualquer coisa, a muitas coisas. Quando algo, objeto do positivismo, está para se concretizar, e não acontece, mais uma frustração. Pequenas coisas, coisas bobas, que simplesmente não acontecem. Todo dia baixo a cabeça entristecido, e torno a levantá-la para não me entregar a uma velha conhecida tristeza que não me agrada nem um pouco sequer. Mas sei da verdade. Sei o que acontece e o que não acontece. Sei onde toco a realidade.

Por outro lado, imagino e invejo a quantidade de sorrisos, de desejos, de carinhos, de toques, de festejos, de felicidades, de vida, de tudo que vem até ela, em abundância, e de braços e abraços que sempre tem em disponibilidade. Não há como ser infeliz desta forma. Obviamente que todos temos nossos motivos pessoais para contra-argumentar quaisquer definições alheias. Mas parece ser tão claro que estou aqui, tão aquém dessa realidade dela que ela mesma nem imagina por um segundo querer me ofertar. Ah, como a vida é longa, como dura tanto, e ainda dizem que é tão curta e se passa num piscar de olhos... Por que algo de muito bom não me surpreende, de uma hora para outra, de forma tão arrebatadora, quando mais preciso? "Há de acontecer apenas quando você menos esperar". Então acabo por aqui, desta forma, pois sempre esperei, e sei que sempre vou esperar, sempre vou estar querendo demais isso.

"Tudo bem se não deu certo. Eu achei que nós chegamos tão perto... Mas agora, com certeza, eu enxergo que no fim eu amei por nós dois. Mas você lembra? Você vai lembrar de mim, que o nosso amor valeu a pena. Lembra? É o nosso final feliz... Você vai lembrar, vai lembrar sim! Você vai lembrar de mim..." [Nenhum de Nós]

6/6/2009

Piloto automático...

"Vivemos esperando dias melhores / Dias de paz, dias a mais, dias que não deixaremos para trás..." [Jota Quest]

Pessoas passam por nossas vidas. Nem sempre causam impacto. Outras vezes, marcam momentos que demoramos a deixar guardados na caixinha de lembranças. Poucas vezes carregamos as lembranças que construímos por toda a vida. Não importa quem seja, apenas nós temos a plena certeza de quem são estas pessoas. Na melhor das hipóteses, trazemos elas no nosso dia-a-dia, compartilhamos com elas nossos melhores momentos. Outras vezes as chamamos em particular, durante a solidão do trânsito, ou pouco antes do sono - até mesmo durante ou após este, ou quando apenas as sombras dos móveis possam nos fazer companhia... O fato é que, às vezes, estas pessoas estão vivas em lembranças diárias. É engraçado como, quando mortas, sentimos o ímpeto desejo de pegar o telefone e fazer uma ligação para o mundo sobrenatural, apenas para ouvirmos sua voz e contar-lhes sobre nossas vidas, e quando vivas, às vezes nos arrebata o temor de não sermos recebidos da forma que criamos expectativas.

São pessoas que aprendemos a amar. Toda e qualquer lição bem aprendida sabemos manter viva. Triste daquele que, como eu, foi fiel a um "para sempre". "Mas o 'pra sempre' sempre acaba", diria uma música de Renato Russo. Não discordo. Não somos eternos. Quando morremos, todos os nossos sonhos, desejos, esperanças, crenças, tudo nos segue ao nosso ponto final. Há muitos e muitos anos disse um "para sempre". O objeto daquela jura pessoal ainda é latente. Inconscientemente é mantida e alimentada a jura. A jura do "para sempre"... Obviamente, não trago comigo meu passado, mas toda latência que lhe foi real um dia. Não mais adolescente, a lembrança senta-se a mesa e, agora educada, mostra sua altivez. Mas tudo isso é surreal. A realidade é o "todo dia"! A realidade é a distância que nos separa. A surrealidade nos toca ao afastarmos a distância, quando sentirmos as mãos delicadamente se cruzarem e se acarinharem, no encontro dos olhares e na doce sinfonia das vozes, no balanço desidioso da rede, na intimidade de uma própria intimidade. Não tenho como dizer que causa um câncer o pouco caso que certas pessoas fazem em relação às nossas palavras mais sinceras, mas causa um profundo sentimento de tristeza ao perceber que o mundo, que poderia nos ajudar, se mostra morosamente silente e, simplesmente, não toma as vezes a nosso favor.

Quanta gente conhece o amor! Quão pouca gente sabe as delícias de sua realidade a ponto de querer o mesmo para os que lhe cercam. Acaso assim não o fosse, diriam: "É lá onde se encontra a sua felicidade? Então te porei na estrada correta ou trarei a estrada a ti". Mas a vida não traz estas facilidades. A vida apenas te provém com lembranças. E por conta dessas lembranças, sou compelido a ligar o piloto automático e deixar que o futuro venha em quaisquer de suas formas. Ah, amigo! Acaso sua pretensão for a favor dessa minha felicidade, então não espere por uma decisão minha... Aja antes, tome a decisão por mim. A boa surpresa é a arte do bom viver. Caso contrário, deixe-me seguir com minha estranha suspensão de tempo-espaço, até que seja tarde demais, e jamais pense no "e se". E mesmo versos tão bobos são tão verdadeiros, a ponto de configurar uma réstia de esperança, tais quais ensejam o início e fim desta minha pobre confissão.

"Vivemos esperando o dia em que seremos 'para sempre' / Vivemos esperando..." [Jota Quest]


A casa da saudade chama-se memória: é uma cabana pequenina a um canto do coração.
(Henrique Maximiliano Coelho Neto)



6/1/2009

Luz dos olhos...

Faz um tempo já. Tive um período de paz. Não aquela paz integral, mas uma paz um pouco mais associada a equilíbrio emocional... Mas não um equilíbrio emocional pleno também. Quem sabe alguma estranha tranqüilidade na alma... Faz um tempo já...
Algumas coisas estavam estabilizadas. Estava estudando muito, pesquisando bastante, lutando contra meu próprio tempo, a favor de mim mesmo, e feliz pela minha própria capacidade, sabedor que tinha meu pai ao meu lado acreditando piamente nos meus esforços e no resultado provável que poderia vir. E que veio. Mas tão somente aquela fé-cega que pairava sobre mim fazia enaltecer toda confiança em mim mesmo, e fui super-homem. Imbatível. Tudo era possível. Tudo era possível porque eu era acreditado. Ainda que sabedor de toda dificuldade em realizar o que me propus, a crença em minha vitória me trazia forças inimagináveis! Hoje, não tenho mais isso. Hoje luto contra as dificuldades, luto pelo futuro, luto pelo melhor, luto pelos resultados que espero, mas diferente de outrora, sob palavras e olhares de desconfiança. Sem apoio. Sem as palavras boas.

Faz um tempo já, um alguém resolveu reaparecer, cheia de boas promessas, cheia de boas lembranças, cheia de boas intenções. Incrível a minha capacidade de (também) depositar fé nas pessoas. Este sou eu. Decidi, à época, manter aquela paz, ou melhor, aquele equilíbrio, ou melhor, aquela estranha tranqüilidade, sei lá. Mas sua insistência, em que eu tivesse fé, me fez recuar quanto a minha decisão. E mais uma vez depositei fé em alguém que um dia me trouxe como presente o abandono. Depositei fé. Por mais complicado que tenha sido conviver com o abandono, por mais complicado que tenha sido ter que aceitar ser trocado como um produto qualquer, por mais complicado que tenha sido fechar os olhos para o passado para buscar a felicidade presente, ainda assim depositei fé. E fé verdadeira, ao menos para mim, tem sido algo tão complicado de se conquistar de alguém... Não durou muito tempo, e mais uma vez fui abandonado, trocado... E quando mais precisei de alguém ao meu lado. E tudo aconteceu ao mesmo tempo: Perdi meu pai, metade de minha família, perdi quem me pediu crença, ganhei a privilegiada visão de ver o restante de minha família morrendo aos poucos, dia após dia, perdi a fé que recaía sobre mim para alcançar a vitória...

Restou a certeza de que, hora ou outra, ficarei sem família, sem apoio, já não tenho fé sobre mim, sem expectativa de fazer uma família minha... De sobra, ganhei a dificuldade de esquecer novamente quem não pensa ou lembra de mim, esquecer mais uma vez as falsas promessas, e não ter mais qualquer garantia mais uma vez. Como diz uma música do Mombojó: "E a fé que depositei, tu vai guardar na caixa-mágica". Tolo que sou, ainda crente em mim mesmo e na busca de minha felicidade, sempre acabo depositando fé na mesma pessoa. Queria saber onde isso tudo vai dar...

"Passo as tardes pensando
Faço as pazes tentando te telefonar
Cartazes te procurando
Aeronaves seguem pousando
Sem você desembarcar
Pra eu te dar a mão nessa hora
Levar as malas pro fusca lá fora....

E eu vou guiando
Eu te espero, vem...
Siga onde vão meus pés
Porque eu te sigo também."
[Nando Reis - Luz dos olhos]

5/17/2009

8 meses...

Faz 8 meses que enterrei meu pai. É um tempo que vem se estendendo/arrastando de uma forma que só eu mesmo entendo como acontece comigo. Tenho me sentido muito sozinho. Terrivelmente sozinho. Como é desagradável a sensação de desistirem de mim. Meu pai nunca desistiu, em momento algum! Mas esta sensação de que a morte é desistência compulsória me acaba. Em dias como este, acordo e sinto que, aos poucos, as pessoas vão desistindo de mim. Sinto uma quase-obrigação, vinda de minha mãe, para continuar sua sobrevivência. Não por amor, mas por obrigação. Como se ela já tivesse desistido de sua própria vida com o falecimento de meu pai. Como se único motivo real e verdadeiro fosse a existência de meu pai. Eu, apenas uma obrigação, aquela necessidade de, ao final, dizer-se: "Dever cumprido". Se acaso este fosse o limite dessa sensação...
Fadado à solidão... Hoje sem esposa, sem filhos, sem namorada, sem amante, sem amizade-colorida-quebra-galho... Parece que serei eu e eu mesmo... Engraçado que acabei sonhando com ela, que sempre reapareceu em minha vida, dizendo que não queria me perder novamente, que havia me procurado para chegar e ficar, mesmo que por unicamente amizade... Unicamente amizade, quando um dia havia dito que era unicamente amor... Ela que, de tempos em tempos reaparece, diz que não me abandonará novamente, e vai embora, para outros braços, outros sorrisos, outras promessas, outras camas e outras diversões. Ficar? Nunca fica. Deixa apenas sua promessa. Ela gosta da promessa do "nunca vou te abandonar" ou "nunca vou te abandonar novamente". Ela, com quem eu quis e propus unir duas vidas. Ela parece sentir prazer em fazer promessas e, depois, me ver abandonado. Seu prazer pessoal. Mas não pode ser de toda má. Para reaparecer, é porque lembrou de mim, quis me ver, quis estar comigo. Talvez por isso eu sempre acabe permitindo essa reaproximação. Deve existir sempre alguma humanidade, algum estranho senso de "querer bem". Ou então é apenas um senso imbecil meu de romantismo, misturado com o restante de fé no ser humano ainda existente.
Enquanto isso, apenas vou seguindo com a solidão que me acompanha e que se mostra companheira (amiga não). Mas por que sempre vou sendo abandonado? Por que vou sempre sendo desistido? Por que? Não pode existir drama diante de fatos.

5/4/2009

Chuvas... E mais chuvas...

... E como tem chovido... Às vezes a chuva dá uma pequena trégua, faz sol, volta a chover... Chuvas torrenciais... Uma manhã inteira... Uma tarde inteira... Uma noite inteira... E durante toda a madrugada... Por dias... Não me queixo. No norte do país, há lugares em que chove sem parar há quase um mês. Situação de emergência. Ontem, retornando para casa, passei por Amaralina e vi o mar. Agitado! Ondas grandes! Não teria peito para entrar no mar com minha prancha, enquanto o mar se mostrasse daquela forma. Eu não!
E todo esse clima chuvoso me traz um sentimento nostálgico, uma vontade de estar no passado, num passado distante, muitos e muitos anos atrás... Impossível! Mas foram outros tempos, muito mais agradáveis que os de hoje. Antes tinha carinho.
Às vezes tenho a impressão que o tempo corre de forma mais lenta em dias assim. O tempo fica impossível! Tenho tentado me concentrar em fazer o que tem que (obrigatoriamente) ser feito, da forma mais correta possível, mas as gotas que caem do céu e se espatifam por sobre meus cabelos atrapalham meus momentos de lucidez, fazendo com que os planos, ironicamente, vão por água abaixo... Já não saía, agora já não saio. Já nem vejo motivos o suficiente para sair. Apenas cumpro minhas obrigações, cartesianamente, e sigo em frente (car-te-si-a-na-men-te). Já nem lembro mais quando foi o ponto temporal exato que deixei e viver e passei a existir. Guardo ainda no peito todo "eu" de vida que resta, para quando o temporal passar. Quando passar... Se passar... Às vezes também não passa. Será que não haverá de passar? A incerteza de tudo vive me incomodando, todo santo dia, todo dia santo... Fico impossível também... Sou incompreensível, não? Pois é, todos nós...
Mas deixa pra lá... Já me deixei pra lá... Agora tenho que voltar pra mim mesmo...

4/6/2009

zzzzzzzzzzzzzz..

Tenho tentado forçar a barra... Tentado dormir mais para sonhar mais... Sem sono nenhum, procuro entrar no mundo fantasioso do sonho.
Tudo por saber da delícia do sonho. Num sonho bom, vivo uma vida que jamais viveria enquanto acordado. Num sonho ruim, a certeza que não levarei a lembrança, do que acontece no sonho, pela vida inteira.
Se pudesse, faria o que fosse necessário, e voltaria a dormir, dormir, dormir, dormir... Acordado é que é ruim... É que tem sido ruim...

3/29/2009

De onde vem a calma...

Não entendo. Como pode, tanta gente, negar o simples estender a mão em ajuda? Isso me dá um desconforto que nem cito.
Há quase uma semana, sinto uma forte dor na nuca. Não sei se é pela posição que durmo, ou se alguma coisa está acontecendo em minha cabeça.
Uma amiga me pediu para ir ao médico. Naturalmente. O mais interessante é que não me importo em ir, ou deixar de ir.
Solidão.
A cada dia que se passa, me sinto um pouco mais sozinho. Isso tem que mudar, porque acredito no reforço das reiterações. Como assim? Simples. Um exercício você faz. Faz uma questão. Erra. Outra. Erra. Mais uma. Erra. Outra. Acerta. EPA! .... Outra. Erra. Mais uma. Acerta. Outra. Acerta. E assim a reiteração do acerto vai se tornando mais constante que o do erro. É essa a busca. Porém, acaso erre, erre, erre, erre, erre novamente, erre mais uma vez, e assim seguir, esse reforço (negativo) também existe. Por isso espero por alguma mudança. Para que o lado bom de alguma coisa possa começar a ser reiterado. Do jeito que as coisas seguem, esse reforço de hoje não irá jamais melhorar coisa alguma em mim.
Vontade de um pouco de vida...

Enquanto isso, ela nem lembra de minha existência...

3/10/2009

Prato do dia: Pensamento ao molho "eu".

Mais um dia...
Hoje foi igual a ontem... Que foi igual a tantos dias já passados...
Sem mudar um único detalhe...
São dias que simplesmente passam... Para algumas pessoas não é assim, para outras nunca é assim. Tem gente que fala em "conformismo". Outras chamam de "falta de opção". Digo que isso é a vida de cada um, sem que haja escolha. Como o famigerado ditado, as coisas acontecem quando têm que acontecer, e isso indica todo caos que o futuro impera. Não são os esforços que nos guia a algo diferente e sim oportunidades que conseguimos agarrar e que se moldam, em nós, de forma agradável. Caso contrário, o futuro é apenas mais um futuro do jeito que foi o passado. É óbvio que, se não nos movermos, o mundo não se move até nós, mas não é por estarmos nos movendo que o mundo conspirará a nosso favor. Acontece quando tem que acontecer, se tiver que acontecer. Não há um padrão para que as coisas aconteçam.
Foi por isso que não desisti. Foi por isso que tanto fiz tudo o que fiz. A ironia de tudo é que, mesmo tendo feito, das formas que fiz, com o empenho que empreguei, nada mudou. Isso me faz pensar se devo continuar...

Iron & Wine - Fever dream

 

3/5/2009

Oh my god!

Lá se vai meu livro em 22 contos... Tenho que parar de pensar tanto em tanta coisa ou vou parar num hospício...
Lembrando: Ele está ali do lado, na pasta "Meus arquivos". rs
3/4/2009

Pensamento do dia...

Saber nem sempre é tão bom.
Estou envelhecendo... Talvez muito além do normal... Lembro de bons tempos e percebo que naquele passado nunca havia encontrado um fio branco de cabelo em qualquer parte do corpo. Mão perfeitamente lisa, sem qualquer marca do tempo. Ganhava-se ao invés de se ir perdendo. Envelhecendo e perdendo...
Abandono... Esquecimento...
Os tempos vão-se passando e posso perceber claramente como se dá o esquecimento das pessoas em relação a mim, mesmo pessoas que se quis tanto bem no passado, mesmo pessoas que até hoje carregamos tanto carinho dentro de nós, mesmo pessoas que não estavam distantes até pouco tempo atrás.
Talvez uma forma de ir-se a morte seja ser levado ao esquecimento.
Vão sobrevivendo comigo as lembranças de todo o tempo em que haviam felicidades, as quais não queria - internamente - que fugissem à vida. Fogem, hora ou outra. Triste de quem, como eu, lute em busca de novas felicidades e encontre o vazio ou as veja correndo de ti. E vou sendo abandonado - não, não é a primeira vez, mesmo sob promessas ou garantias.
Quantas vezes ouço "dramático" por pessoas que não conseguem atingir a percepção de uma realidade distante delas mesmas: A minha. De uma mesma forma, estou distante da realidade alheia. Ainda assim, preocupam-se com o julgamento, com esse julgamento.
Meu pai perdeu a mãe ainda jovem. Estiveram ao seu lado suas irmãs, pai. Perdeu seu pai, e estiveram ao seu lado suas irmãs, minha mãe e eu. Minha mãe perdeu a mãe e estiveram ao seu lado suas irmãs, irmãos, meu pai, eu. Perdeu seu pai e estiveram ao seu lado suas irmãs, seus irmãos, meu pai e eu. Perdi meu pai e fiquei com minha mãe. Hora ou outra perderei minha mãe. Ficarei sozinho. Engraçada (?) a percepção da falta de perspectiva ou esperança de constituir uma família que possa estar ao meu lado quando essa hora acontecer, haja vista que gradativamente vou sendo esquecido, tantas vezes abandonado, vou ficando no passado e em lembranças de um tempo que não volta jamais. Talvez haja o medo desse meu envelhecimento rápido e sorrateiro.
Não vou apenas envelhecendo, vou desgastando, enfraquecendo.
É um andar mais desajeitado, a pele lentamente enrugando, unhas perdendo a forma, corpo inteiro perdendo brilho. Envelhecendo sozinho.
Talvez acabe vivendo em algumas lembranças, como o é hoje.
Às vezes tenho que conversar comigo mesmo para não esquecer de minha própria voz. Às vezes durante dias. Esquecimento e abandono. Quem não sabe o que é isso não tem a percepção do que realmente significam estas duas palavras e suas repercussões em alguém.
Às vezes coisas pequeninas, micro-felicidades, acontecem e nem mesmo tenho com quem compartilhar e rir dessas coisas. Quem sabe um dia dirão não entender a minha angústia, embora esteja explícita em linhas e entrelinhas.
Triste é perceber quantos planos falharam... Amor... Família... Emprego... Tudo... Tendo ainda vida, por não haver opção, vou seguindo de olho no presente e na expectativa de algum futuro onde possam existir tais planos que por tantas vezes falharam. Com o esquecimento e o abandono latente, não sei como projetar planos que deveriam chegar. Parece contraditório.
Os dias vão passando, tão somente. Procuro fazer com que fiquem, mas vão passando, simplesmente passando. Insisto para que fiquem, mas continuam passando. Dou a volta, puxo pela mão, tento novamente, corro atrás em busca, faço, digo, mostro, mas vão passando, simplesmente passando. Vão passando e carregando consigo gente que diz não me abandonar, não me esquecer, não me deixar. E vou envelhecendo dia-após-dia. Vou ficando para trás enquanto corro em busca de todo o tempo, em busca da própria vida, em busca da vontade e dignidade que deveria existir em todos nós.
É que sozinho não dá, quando aprendemos a estarmos juntos.
Talvez eu tenha que ficar para poder ouvir e presenciar o fortuito alheio. Talvez tenha que estar vivo para ouvir daquela ex-namorada sua felicidade em ter encontrado o homem que não fui, o amigo que encontrou a parceira que não tive, o parente que atingiu o sucesso que nunca tive, a amiga ter o(a) filho(a) que nunca vim a ter. Seria tudo conseqüência de esquecimento ou abandono? Seria esta a resposta por ser só?


Poema (Cazuza)
"Eu hoje tive um pesadelo e levantei atento, a tempo
Eu acordei com medo e procurei no escuro alguém com seu carinho e lembrei de um tempo
Porque o passado me traz uma lembrança do tempo que eu era criança
E o medo era motivo de choro, desculpa pra um abraço ou um consolo
Hoje eu acordei com medo mas não chorei nem reclamei abrigo
Do escuro eu via um infinito sem presente, passado ou futuro
Senti um abraço forte, já não era medo
Era uma coisa sua que ficou em mim, que não tem fim
De repente a gente vê que perdeu ou está perdendo alguma coisa
Morna e ingênua que vai ficando no caminho
Que é escuro e frio mas também bonito porque é iluminado
Pela beleza do que aconteceu há minutos atrás"

2/4/2009

"É um mundo estranho e mau"[Zero]

É estranha a predominância fática da prepotência e do falso moralismo presente na massa humana. Chega a ser frustrante querer lutar contra algo que está incrustado em nossa essência. Faz parte do ser humano.
Mais bizarro é perceber o comportamento daquelas pessoas que dizem gostar de nós, amar, admirar, entre outras coisas, e quando precisamos de ajuda, quando pedimos, quando suplicamos, é o momento em que eles têm o costume de nos abandonar. Talvez sejamos chatos o suficiente para mantê-los distante de nós, mesmo que a nossa necessidade seja exatamente contrária ao que desejamos.
O mundo vai seguindo em frente, sem que ao menos tenha a decência de perceber-nos como parte fundamental dele. Apenas quando o nosso riso é evidente, este vem para nos acalentar, para nos saciar com a delícia dos seus braços e abraços. É um mundo ridículo por natureza. É a natureza ridícula da humanidade. É a humanidade ridícula que impinge o sangue destes pobres mortais. É a mortalidade ridícula que finaliza sem objetividade a vida. É a vida ridícula em sua função primária.
Ao mesmo tempo, vivemos em contato com a ignorância dos conceitos errados por sua dicotomia absurda. Ouve-se com muita freqüência o repúdio às dificuldades, ao mesmo tempo em que se ouve que, sem dificuldades, a vida não teria graça. Ouve-se de muitas bocas que se tudo fosse fácil, a vida não teria graça. Afirmações que perdem qualquer sentido quando se depara com o fato de que jamais se houve o contato com esta outra realidade (que não teria qualquer graça). Vive-se uma "animação" compulsória, sem sentido, sem razão objetiva-real de ser. É a criação de um prazer que não existe, para mascarar uma realidade que é fática.
Desta forma, desde sempre foi buscada a criação de um mundo que aprendêssemos a desejar, mas que jamais nos foi apresentado da forma que sempre esperamos. Persiste o mundo que não quisemos e a ilusão de um mundo que jamais será alcançado, por não existir e por não ter a condição essencial para existir: Um outro tipo de ser humano pisando em suas terras. Não nós, não estes humanos que lidamos, não estas pessoas com quem falamos, que abraçamos, que apertamos suas mãos, beijamos, cortejamos, amamos.
É (muito) cruel saber friamente desta realidade e ouvir de pessoas queridas as diversas tentativas de nos fazer mascarar essa realidade com outra, inexistente. Ah, como é doce a ignorância...

2/3/2009

"Há tempos o encanto está ausente.."

Quanta falta de meu pai... Quanta saudade tem me tomado nesses últimos tempos...
Ruim é sentir-se abandonado. Ruim é sentir-se só. Ruim é ter a sensação de inutilidade. Ruim é viver sob insônias e pesadelos todos os dias.
Ruim é ficar sem perspectivas.
Quanta coisa ruim acontece... Quando seqüenciadas, parece que as coisas boas não haverão de acontecer.
Ao mesmo tempo é sofrível não saber o que fazer frente a certas situações, principalmente àquelas que fogem ao nosso controle.
Sinto falta de atenção, carinho, amor. Sinto falta do meu pai. Sinto saudade da vida. Parece até que a morte se aproxima.
Um dia ouvi de meu pai: "Na vida...", quando minha mãe perguntou: "Tá pensando em que Edvaldo?".
Duvido que ele não tenha pensado em tantas coisas que eu sempre pensei em relação à vida. Duvido...
Parece que fazer a nossa parte não é suficiente. Parece não, não é suficiente...

1/26/2009

"O que se move e o que nunca vai se mover"

Quanta saudade, quanta falta de meu pai...
Perfeição era saber que existia aquela pessoa que me amava. Era muito bom saber que ele estava vivo. Era muito bom saber que eu estava protegido. Era bom saber que existia alguém que me amava incondicionalmente.
Era bom saber que ele estava vivo.
Era muito bom saber que ele estava ali, vivo, sorrindo ou em fúria, preocupado ou tranquilo, não importa. Era bom saber que ele estava ali, vivo.
Hoje já não está mais ali. Acabou.
Resta agora eu e minha mãe. A vida fazia mais sentido quando éramos três.
Já não dá mais para ligar para o interior, contar alguma novidade, não ter novidade nenhuma mas dizer só um "oi", receber uma ligação diária (ou quase diária) só para saber que tinha alguém que se preocupava, de verdade, em saber como eu estava. Isso não há mais. Nunca haverá novamente porque ele se foi.
É engraçado como tão pouca coisa, hoje, faz sentido. Queria um pouco mais de vida, algum motivo qualquer que me levasse para frente, sem vontade de parar, sem vontade de desistir, simplesmente seguindo em frente. Não dá para viver simplesmente envelhecendo, dia após dia, hora após hora, sem um sonho, sem um objetivo, sem uma visão do futuro, de fato. Não dá para viver só de planos e desejos. Sinto a falta de meu pai. O mundo anda tão complicado sim.
É ruim sentir-se só.
É ruim sair para o mercado, ou para o banco, ou para qualquer lugar, buscar um sorriso e não encontrar. É ruim sair para caminhar e não chegar a lugar algum. É ruim sentir-se inútil sabendo-se capaz. Ele me fazia sentir útil, forte, verdadeiro. A vida era mais viva quando ele estava vivo.
Quanta saudade... Quanta falta...

1/24/2009

Eu me gasto!

Sábado. Ainda estava escuro quando acordei. Passei algumas horas me lembrando dela. Minha ex-namorada. Antiga ex-namorada. Lembrei de quando resolvi ceder ao seu pedido de reaproximação, com tantas promessas de não nos afastarmos novamente. No passado, passamos anos juntos, amando. Hoje, ela se resume a lembranças. Outrora havia me dito que eu poderia contar com ela para tudo, que estava sentida pelo que minha família estava passando. Fiz o teste, pedi ajuda. Foi a última vez que ouvi sua voz, dizendo que não poderia. Foi quando aquela garota que disse não estar preparada para se envolver novamente, estava se envolvendo. E sumiu mais uma vez. Desapareceu. Nas festas de fim de ano, do ano que se passou, manda um torpedo para mim, desejando-me um ano com realizações e blá-blá-blá. Engraçado como ex-namoradas sempre fazem novas promessas mentirosas, novas promessas eivadas de crença e descrença. Meu passado me persegue quando estou, a sós, comigo mesmo. É o efeito solidão, para acompanhar madrugadas frias.
É uma pena que se goste tanto de fazer promessas que são incapazes de serem cumpridas...
"Eu só faço parte do seu passado.
Eu nunca fui posto em algum lugar no seu futuro.
Mas me engana e me traz lembranças
De algum passado que não há mais."


Dialética do olhar - II: "Tempestade num copo d'água", de Engelis Oliveira.


1/20/2009

Love -Ĭ- Hate -Ĭ- Love

Detesto dias como esse. Dias que fico sem coragem para nada. Forço a barra, volto atrás, e volto a forçar a barra novamente. E nada...
Fico pirado com essa situação por conta dos milhares de pensamentos perturbadores que transpassam minha mente, sem parar. E busco uma fuga sorrateira neste teclado, fazendo os dedos coçarem.
Estudar chega a ser complicado, visto aqueles pensamentos de que falei. Falta a concentração.
É preciso muito mais que estar vivo. É preciso sentir-me vivo. É preciso alegria de viver. É preciso confiar no futuro.
"E o futuro é uma astronave que tentamos pilotar. Não tem tempo nem piedade, nem tem hora de chegar. Sem pedir licença muda nossa vida, depois convida a rir ou chorar", diz Toquinho.
Sei não... Deixo ao tempo as verdadeiras respostas de tudo.


 

Wladimir Bastos

Occupation
Location
Interests
Tenho, mas perco...
Perco, mas encontro...
Encontro, mas desconfio...
Desconfio, logo concluo...
Concluo, mas não radicalizo...
"E a vida me ensinou como se ter coragem..." [Lobão]
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